Robótica e próstata: futuro para todos?

Dr. Daniel Freitas

Até pouco tempo, operar a próstata com a ajuda de um robô parecia algo futurista. Hoje, essa tecnologia é uma realidade em um bom número de hospitais brasileiros, e vem mudando a maneira de tratar o câncer no País. Além de representar um salto técnico, simboliza uma nova era da medicina, em que a precisão e a segurança caminham lado a lado com o cuidado humanizado.

Em outubro, a Conitec - comissão que avalia novas tecnologias para o SUS - aprovou a incorporação da cirurgia robótica para o tratamento do câncer de próstata localizado. Pouco se sabe ainda sobre a forma com que essa tecnologia, que é cara, será viabilizada para os pacientes de hospitais públicos. Porém, não deixa de ser um marco importante, pois demonstra uma clara intenção de democratizar uma técnica que hoje é restrita a poucos homens.

Na cirurgia robótica, o médico controla braços mecânicos com precisão milimétrica, por meio de uma câmera de alta definição e movimentos filtrados de tremores. O robô não opera sozinho, obviamente. Ele apenas amplifica a destreza humana. A cirurgia robótica pode possibilitar incisões menores e contribuir para a redução do sangramento e da dor no período pós-operatório. A recuperação e os resultados variam de acordo com as condições clínicas, o procedimento realizado e as características de cada paciente. A precisão dos movimentos e a visualização ampliada podem auxiliar o cirurgião na preservação de estruturas relacionadas às funções urinária e sexual. Os resultados, entretanto, dependem de fatores individuais, das características da doença e da avaliação de cada caso.

Trata-se, portanto, de uma útil iniciativa em busca do avanço da saúde masculina no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa de novos casos de câncer de próstata, para 2025, é de 71.730, sendo este o tumor mais frequente entre os homens - boa parte são diagnosticados tardiamente. No Rio Grande do Sul, as estatísticas apontam para 3.500 novos homens diagnosticados por ano.

O diagnóstico em estágios iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento. A definição da conduta e a perspectiva de resultado dependem das características da doença e da avaliação médica individualizada. Por isso, o Novembro Azul não deve ser apenas sobre examinar a próstata, e sim sobre atitude. De nada adianta um robô no centro cirúrgico se o homem não chegar ao consultório. A incorporação da cirurgia robótica ao SUS é uma boa notícia, mas o verdadeiro salto ainda depende de um gesto tão simples como agendar uma consulta.

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Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta, avaliação médica ou orientação profissional individualizada. A indicação de qualquer procedimento depende da análise de cada caso.

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